refletindo:
desenho manualístico vs. desenho informático

Passado o primeiro quarto de século do surgimento do desenho auxiliado por computador e o deslumbramento inicial que a comunidade de professores de expressão gráfica, notadamente os de desenho técnico, experimentou, vivemos um ponto de inflexão. Neste momento, nossas decisões e atitudes repercutirão na qualidade da aprendizagem e nas competências da próxima geração de técnicos, tecnólogos e engenheiros que estamos a construir.

Há um paradoxo na educação. Nenhuma outra área do conhecimento humano produz tantos pósgraduados e, em contrapartida, em nenhuma outra área do conhecimento humano se tem a impressão que o resultado da sua atuação está piorando no decorrer do tempo. Há quem sustente que este paradoxo é patrocinado pelo frequente abandono das metodologias consolidadas -que comprovadamente produzem resultados de ensino/ aprendizagem- em favor das novidades e dos modismos.

Na área da expressão gráfica não foi diferente. Ansiosos por oferecer 'o que há de melhor', instituições-referência da educação técnica desmontaram suas pranchetas para abrir espaço para os computadores. Substituindo o desenvolvimento das competências heurísticas do desenho técnico pelo ensino das habilidades algorítmicas relativas aos comandos que fazem o computador simular o desenho em sua memória, num sem-fim de cliques em objetos na tela. Numa analogia tosca: os professores de códigos de linguagem deixaram de ensinar 'o escrever corretamente' em português em favor do uso de um ou outro processador de texto, copyright de alguma empresa multinacional.

Muitos pensadores vêm alertando que a informática não agrega qualidade à produção intelectual. Um macaco interagindo com um teclado é capaz de imprimir letras na tela, as associar em palavras, em sentenças e parágrafos sem, contudo, escrever algo brilhante. É evidente que a tecnologia é concebida para ser 'amigável' e o elo fraco desta corrente não é a interação com os seus meios e sim a competência do usuário posta a seu serviço.

O professor Eduardo J. Stefanelli é engenheiro mecânico. Na década de 1980, atuou como projetista e construtor de máquinas automáticas (foto 1), se valendo de programas infográficos, é analista de sistemas e produtor de programas de ensino/ aprendizagem hipermidiáticos para educação mediada por tecnologias digitais. Professor do ensino básico, técnico e tecnológico do IFSP - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia São Paulo, é testemunha dos resultados que a adoção desta política produziu nesta instituição. Como debatedor desta mesa redonda, pretende desmitificar o uso dos CADs para o ensino do desenho técnico e suscitar uma reflexão a respeito de quem se beneficiou deste 'desmonte' na educação técnica/ tecnológica.

 

Automação mecânica

foto 1 - Protótipo de máquina automática

refletindo: desenho manualístico vs. desenho informático é o título da participação na Mesa-Redonda: O Ensino de Desenho e Formação de Profissionais da Área no I Encontro Regional de Desenho - Re-Desenho em novembro de 2008 no CEFET/RJ Centro Federal de Educação Tecnológia Celso Suckow da Fonseca - Rio de Janeiro.